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ICE Hotel

Dormir num deserto gelado

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ICE Hotel

Dormir num deserto gelado

Os lençóis são dois sacos-cama térmicos, a colcha são mantas de pele de rena, dorme-se de luz acesa e em vez de mobiliário de quarto existem paredes esculpidas no manto branco. Passar uma noite no ICEHOTEL, o primeiro do género no mundo e a 200 quilómetros de distância do Círculo Polar Árctico, é uma experiência verdadeiramente gelada – e há quem pague para a superar.

 

Texto André Rosa  | Fotos ICE Hotel

 

É preciso coragem para querer ficar hospedado no ICEHOTEL, localizado na pequena vila de Jukkasjärvi, no norte da Suécia. Não só fica em plena floresta, longe de qualquer cidade, como é feito de uma matéria-prima invulgar: gelo. E é aí que tudo se complica, ou não. A avaliar pelos 50 mil hóspedes que dormem todos os anos no ICEHOTEL, dormir no gelo é possível e pode até ser agradável.

Leu bem: dormir no gelo. Tudo naquele hotel é duro, branco, azul e frio só de olhar. Antes de saber como são os quartos, vale a pena inteirar-se das “dicas de sobrevivência” que o staff do hotel comunica antes de os hóspedes irem dormir: como devem vestir-se de forma a proteger-se das baixas temperaturas, como devem usar os sacos-cama térmicos e saber que nos quartos não existem portas, mas sim cortinas, e que de manhã um empregado do hotel irá acordar as pessoas com uma bebida quente.

Quer durma numa Delux Suite ou num Ice Room, tem uma visita guiada ao hotel. Nesse momento irá perceber como tudo funciona, e que é numa zona aquecida do edifício (que não é gelo) que se localiza a recepção, serviços, sauna (para homens e mulheres), zona de relaxamento com lareira e bebidas. O chamado dressing room é precioso, uma vez que é lá que os hóspedes têm áreas para tomar duche e trocar de roupa, sendo que nem as malas de viagem entram no quarto além do mínimo indispensável – ficam guardadas em cacifos na recepção.

Agora, aquilo que realmente interessa, o Ice Room onde pode dormir (que é como quem diz “o quarto mais frio da sua vida”). Com as paredes e tectos esculpidos em gelo, sobressaindo desenhos e criações artísticas sempre únicas e irrepetíveis – da autoria de uma série de artistas que todos os anos se dedicam a criar a arte do hotel –, sentirá estar a passar a noite num local mágico, o que de certa forma compensará a ausência de conforto naquele espaço.

As paredes ganham formas, feitios e texturas, reflectindo luzes coloridas embutidas no gelo (que não se desligam durante a noite). Numa Deluxe Suite, assim como nos Ice Rooms, a cama é um colchão espesso, coberto de peles de rena, e que assenta sobre uma superfície de madeira embutida na estrutura de gelo no chão.

Para garantir aconchego durante o sono num quarto em que a temperatura se fixa entre os cinco e os oito graus negativos, dorme-se dentro de dois sacos-cama térmicos, metidos um dentro do outro. O saco-cama exterior tem, inclusive, um capuz que tapa todo o rosto excepto os olhos, para que se mantenha quente a noite inteira. A garantia do hotel é que os sacos-cama são “mais do que suficientes” para manter a pessoa quente, ou não estivessem preparados para resistir a temperaturas de até – 25 graus C.

Ainda assim, o frio é tanto que até os telemóveis e máquinas de fotografar deixam de funcionar se estiverem no exterior. Outra informação importante diz respeito às casas-de-banho. A menos que fique hospedado numa Deluxe Suite, não terá canalização no quarto, por isso, para ir à casa-de-banho tem de percorrer os corredores do hotel, semi-iluminados, até chegar à zona do edifício aquecido.

Após a noite de sono naquele que é um dos hotéis mais extremos para a permanência humana, os hóspedes são gentilmente acordados por um empregado, que lhes oferece um sumo de frutos vermelhos quente. Já no momento do check-out, é atribuído a cada pessoa um diploma de participação pela superação da experiência de dormir debaixo do gelo da Suécia. O diploma indica ainda que temperaturas se fizeram sentir naquela noite, dentro e fora do hotel, para que a pessoa não tenha dúvidas de que “sobreviveu” a uma experiência que o próprio ICEHOTEL descreve como “surreal” e “inesquecível”.

Explorar a natureza gelada

Nas imediações do ICEHOTEL, há uma série de actividades mais ou menos radicais, que convidam a explorar a natureza gelada no meio da floresta. Desde percorrer quilómetros em trenós puxados por cães a aprender a arte de esculpir o gelo, fazer safaris para ver alces e renas, conduzir motas de neve em excursões nocturnas para se deslumbrar com as auroras boreais que iluminam o céu entre Outubro e Abril, tudo é possível naquele lugar coberto de branco.

O ICEHOTEL em números

O ICEHOTEL em Jukkasjärvi, no norte da Suécia, é construído todos os anos com 2.500 blocos de gelo (equivalentes a 35 mil metros cúbicos de snice – “snow” mais “ice” – e a 700 milhões de bolas de neve), que são retirados do rio Torne, um dos seis grandes rios existentes na zona. Com 300 camas, o hotel tem ainda uma capela, bar, restaurante e estúdio de escultura em gelo. No lobby principal, os lustres são construídos com mil cristais cortados à mão. A novidade mais recente é o ICEHOTEL 365, uma estrutura de gelo que funciona durante todo o ano, com nove Deluxe Suites, 11 Art Suites com adornos artísticos exclusivos e um bar onde se pode beber champanhe… bem gelado.

 

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