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Clima ameno, paz, tranquilidade, passeios por pequenas vilas e locais cheios de surpresas com paisagens absolutamente deslumbrantes… Eis o que poderá esperar numa inesquecível viagem à costa amalfitana, classificada pela UNESCO como Património da Humanidade

Desde 1997 assim classificada, a costa amalfitana debruça-se no sul da Itália sobre o Mar Tirreno e o Golfo de Salerno ao longo de 50 quilómetros na região de Campânia, no litoral sul da Península Sorrentina, entre Positano e Vietri sul Mare. Popular destino de férias do jet set e de uma classe europeia mais abastada desde o século XVIII, sucede-se ao longo de uma costa acidentada onde sobressaem pequenas praias e vilas de pescadores em tons pastel, passando a estrada costeira por impressionantes mansões e vinhedos plantados em terraços nas colinas e pomares de limoeiros que nascem à beira de penhascos. Em pleno Mediterrâneo, esta costa herda o nome a partir da cidade homónima, o seu coração histórico e centro político, atraindo ali o turismo internacional que entretanto a tornou famosa em todo o Mundo. A Primavera é uma boa alternativa para conhecê-la, sendo possível desfrutar dos seus pontos altos sem o excessivo turismo que ali acorre durante a estação mais quente e ocorrendo, então a oportunidade para percorrer os destinos que, a par de Capri, foram desde os anos 50 procurados como locais preferidos de artistas em geral, estrelas de cinema, políticos e, sobretudo, milionários.

Positano

Famosa pela típica bebida ali preparada, o limoncello, Positano foi até meados do século XX uma pequena vila piscatória começando então a atrair turistas, os primeiros a chegar inspirados num ensaio realizado por John Steinbeck acerca da mesma e publicado na Harper’s Bazaar. Cenário de inúmeras rodagens cinematográficas como Only You (Marisa Tomei e Robert Downey JR) e Sob o Sol da Toscânia (Diane Lane), Positano foi também o lugar onde Keith Richards e Mick Jagger compuseram a música Midnight Rambler, em 69, e onde o realizador Franco Zefirelli deteve uma propriedade (Villa Treville), actualmente transformada em hotel. Dramática, luxuosa e arrojada, Positano é, na verdade, um dos pontos-chave da costa amalfitana, com casas a debruçar-se vertiginosamente até ao mar numa cascata pêssego, rosa e terracota que deslumbra quem ali se dirige. Com degraus íngremes e ladeadas por hotéis cobertos de glicínias, por restaurantes e sofisticadas lojas de moda, as suas ruas são igualmente encantadoras. Aqui, onde facilmente se recria o clássico das férias do sul da Itália de outros tempos, com turistas a comer pizza e crianças a correr de um lado para o outro ao mesmo tempo que imploram um sorvete aos pais e elegantes senhoras de Milão visitam as boutiques atrás mencionadas, foi onde nasceu a moda positano, nos anos 60. Para os apreciadores de arte será incontornável fazer uma visita à Chiesa di Santa Maria Assunta, famosa pela imagem bizantina da Virgem Negra com o Menino, que está presente na maioria dos postais e que constitui um dos destinos de eleição dos italianos (do sul) para celebrações matrimoniais. Mesmo ao lado, o Palazzo Murat, um hotel de luxo, foi no século XVIII propriedade do rei francês de Nápoles, que o mandou construir como residência de Verão para si e para a mulher, Caroline Bonaparte.

Praiano

Também uma antiga vila de pescadores, actual destino de veraneio e popular centro artístico, Praiano encanta com as suas casas caiadas que contrastam com a verdejante cordilheira do Monte Sant’Angelo, que desce até ao Capo Sottile. Foi no passado um importante centro produtor de seda, um dos favoritos dos doges de Amalfi. A poucos quilómetros do centro, na Marina di Praia situa-se uma encantadora praia que atrai a maioria dos turistas. É a partir daqui que se poderá partir em visita para uma das torres defensivas que compreendem as Torre a Mare, que de origem sarracena foram construídas ao longo da costa almafitana. Destaque ainda para a Chiesa di San Luca, na zona alta da vila, que foi erguida no século XVI e que dispõe de um colorido piso em majólica.

Furore

Há quem diga que Furore é o fiorde privado da costa amalfitana e a vila é muitas vezes referida como a cidade que não existe, consistindo apenas num conjunto de pequenas casas debruçadas sobre as falésias, não havendo ali nem uma praça principal nem um centro de vila. O nome deriva de Terra Furosis (terra de fúria), datando dos primeiros colonos neste canto da costa que se impressionavam com o barulho das ondas a bater no Fiordo di Furore durante as tempestades. No passado, a cidade foi de facto uma pequena fortaleza habitada por um conjunto de locais sob o governo de Amalfi e graças à sua posição geográfica absolutamente única a fortaleza era virtualmente impenetrável. Foi aqui que Roberto Rossellini filmou parte do filme L’Amore, tornando-se amante de Anna Magnani, a principal protagonista feminina, e mais tarde foi também ali que se apaixonou por Ingrid Bergman. Na praia, no sopé dos penhascos, há alguns galpões restaurados do passado onde os pescadores costumavam guardar as suas ferramentas e onde se escondiam personagens como o lendário bandido Ruggieri di Agerola, que é citado na obra Decameron de Boccaccio; são os chamados monazzeni. Um dos melhores modos de apreciar o fiorde e a praia será através de barco, partindo de Nápoles ou de outra cidade costeira da região de Campania ou ainda a partir de Capri. O fiorde está ligado às casas de Furore através de cerca de três mil degraus que até à década de 90 representavam o único acesso existente. A visita à Igreja de San Giacomo Apostolo é obrigatória, albergando uma série de frescos recentemente descobertos e pertencentes à escola de Giotto. Ainda neste recanto do mundo classificado como Património Mundial pela UNESCO, merecem visita a Chiesa di Sant’Elia e a Chiesa di San Michele.

Amalfi

Actualmente será inimaginável pensar que esta pequena vila, com as suas soalheiras piazzas e a sua pequena praia, representou em tempos uma super-potência marítima onde habitavam mais de 70 mil pessoas, já que pode ser percorrida em menos de vinte minutos e que daquela época restam muito poucos edifícios. Na verdade, a maior parte da antiga cidade e dos seus habitantes foram engolidos pelo mar aquando do Terramoto de 1343. No entanto, este destino transpira história e cultura, tendo como testemunho a catedral de influência bizantina. A Cattedrale di Sant’Andrea combina uma profusão de estilos, causando uma forte impressão do alto da sua escadaria de 62 degraus. Do seu lado esquerdo, o Chiostro del Paradiso exibe magníficos claustros de influência árabe e frescos do século XIII, tendo sido construído em 1266 para acolher os túmulos dos mais proeminentes cidadãos de Amalfi. A cerca de quatro quilómetros, a Grotta dello Smeraldo deve o nome ao tom das suas águas. Ali é possível apreciar estalactites que descem de um tecto com um pé direito de cerca de 24 metros de altura e estalagmites que se erguem até os dez metros. A visita a Amalfi não estará completa sem uma ida ao Museo della Carta, um verdadeiro museu do papel e o mais antigo da Europa onde é possível conhecer o processo de produção de papel com base em algodão.

Atrani

A encantadora vila de Atrani é sem dúvida um ponto a descobrir na glamorosa costa amalfitana e que ainda permanece um dos segredos italianos melhor preservados. Trata-se de um destino ideal para desfrutar de alguma autenticidade, de excelentes praias e de cenários idílicos, constituindo uma das vilas mais pequenas do sul da Itália, tendo no passado sido já referida como a mais bela de todo o país. Tão impressionante é que os seus visitantes por ela se enamoram profundamente, como foi o caso do famoso artista holandês Escher, que aquando de uma viagem em 1923 a esta costa por ela se apaixonou perdidamente dedicando-lhe muitas das suas obras. Aninhada entre as duas faces de um penhasco, Atrani representa de facto um destino bastante cinematográfico, atraindo ali profissionais desta área e da publicidade na sua constante busca por cenários magníficos que aqui são realmente fáceis de encontrar, sendo inúmeras as cores que cobrem os edifícios que se erguem das águas azuis do Mar de Tireno, a tipicidade das suas ruelas e as íngremes escadarias num conjunto medieval que até hoje se soube manter quase intacto. Representou a residência preferida dos Duques de Amalfi, detendo por isso verdadeiras obras-primas da arquitectura. A Igreja de San Salvatore de Birecto, por exemplo, foi fundada em 940, tornando-se mais tarde o local de coroação dos duques, constituindo uma espantosa igreja posteriormente remodelada ao estilo neoclássico, incluindo no seu interior relevos do século XII em estilo bizantino e uma porta de bronze proveniente de Constantinopla. Também a Collegiata di Santa Maria Madalena deslumbra, dominando a paisagem da vila e gozando de uma vista absolutamente maravilhosa sobre o Golfo de Salerno. Do século XIII, destaca-se com a sua fachada barroca, torre sineira e cúpula em majólica, com um interior de painéis policromáticos e servindo de morada a uma das obras de Andrea da Salerno, um dos principais pintores do sul da Itália e que terá sido discípulo de Raffaello.

Ravello

Foi aqui que Richard Wagner curou um bloqueio de cerca de 20 anos. É que só depois de visitar a famosa Villa Rufolo e de ficar de tal modo impressionado com os seus jardins é que encontrou inspiração para compor o segundo acto da ópera Parsifal (iniciada em 1857). Depois de visitar Ravello tudo mudou e Parsifal estrearia dois anos após esta viagem, em 1882. A frase Il magico giardino di Klingsor è trovato (o jardim encantado de Klingsor foi encontrado) é da sua autoria, presente no livro de hóspedes do Albergo Palumbo, onde na altura ficou alojado, podendo hoje ser apreciada numa placa da Villa Rufolo. Foi também em Ravello que DH Lawrence gizou o enredo de O Amante de Lady Chatterly. Situada no topo da costa amalfitana, Ravello seduz de tal maneira os seus visitantes que não admira que, tal como Wagner ou DH Lawrence, tantos outros nomes sonantes tenham ali procurado refúgio, atraindo deste modo celebridades, artistas e viajantes. Boccaccio, Dalí, Greta Garbo e Humphrey Bogart são apenas alguns dos exemplos das inúmeras personalidades que se deixaram marcar por esta vila Património Mundial da UNESCO que transforma quem a visita e que foi fundada no século V como refúgio de invasores bárbaros acabados de chegar de Roma. A sofisticação de Ravello é particularmente notória na praça principal, onde elegantes clientes descontraem à sombra de cafés ao ar livre, nas luxuosas villas, em jardins cuidados e assistem a um dos melhores festivais de música da Itália, o Ravello Music Festival, que decorre todos os anos, entre Junho e meados de Setembro, e que já recebeu orquestras de renome como a London Symphony Orchestra, a St. Petersburgh Philharmonic Orchestra e maestros como Daniel Barenboim e Zubin Mehta. Em Ravello, a visita obrigatória seguirá para a Villa Cimbrone, cujos jardins foram maioritariamente criados por Ernest Beckett e que em tempos representou uma espécie de retiro boémio usado por Greta Garbo e o amante Leopold Stokowski como esconderijo secreto. Virginia Woolf, Churchill, DH Lawrence e Salvador Dalí assinalaram também ali a sua presença. Debruçada sobre a Piazza Vescovado, a já citada Villa Rufolo, a sul da catedral de Ravello, anuncia-se à entrada com uma torre do século XIV, deslumbrando com os seus jardins em cascata da autoria de Sir Francis Neville Reid. Construída no século XIII pela abastada família de mercadores Rufolo, foi morada de vários papas e também do Rei Robert de Anjou. Do lado oriental da Piazza Duomo, a Catedral de Ravello foi construída em 1086 tendo, no entanto, sofrido diversas intervenções de conservação. Obra arquitectónica de incontornável valor, deslumbra dada a qualidade artística que nos transporta para outras épocas absolutamente encantadoras. Também o Museo del Corallo Camo e o Auditório Oscar Niemeyer merecem visita, o último a gerar opiniões controversas e a receber concertos e exposições de elevado interesse.

Maiori

Em Maiori encontra-se a maior praia da Costa Amalfitana, eventualmente a sua principal atração, que resultou das catastróficas inundações de 1954 que destruíram o centro histórico. O destaque seguirá para as duas torres normandas que vigiam a costa e que tornam a Praia Erchie muito pitoresca e verdadeiramente popular tanto entre os locais como entre os visitantes. Recomenda-se a visita às praias de Spiaggia di Glauco, Capo d’Orso e Cala Bellavaia, localmente chamada de Spiaggia del Cavallo Morto. Em tempos conhecida como Torre dell’Angolo, a Torre Normanda localizada sobre a principal praia de Maiori, foi construída em 1563 para proteger a costa de piratas e ataques inimigos vindos por mar, impressionando ainda hoje com os seus impressionantes bastiões que parecem pertencer à massa de rochas que acompanham a costa e servindo actualmente como elegante restaurante cuja reserva terá de ser realizada com a devida antecedência dada a sua enorme popularidade. A partir de Maiori, será também possível visitar a Gruta di Pandora, muito apreciada para efeitos de mergulho, e a Gruta Sulfurea, também chamada Grotta Suffregna e que deve o nome às águas sulfúricas que ali encontramos. Na arquitectura local, merece menção a Chiesa di San Nicola de Thoro-Plano e na arte sacra o Museo degli Arredi Sacri. Já fora da vila, tempo ainda para visitar o monumental complexo de Santa Maria de’Olearia, localizado dentro de uma imensa caverna na estrada para Salerno, sendo considerado um dos mais importantes edifícios monásticos beneditinos da região e integrando três pequenas igrejas onde se encontram numerosos frescos medievais dedicados à Virgem Maria e a São Nicolau. Celebrada como um dos principais destinos de eleição da nata da sociedade desde os anos 50, a costa amalfitana tem muito mais do que luxo para oferecer, tendo sabido preservar a sua autenticidade e a tipicidade e gentileza das suas gentes. Num tempo em que as mudanças ocorrem a uma velocidade absolutamente estonteante, encontramos nesta costa a certeza de um refúgio de sol, de tradição e de grande tranquilidade. E se a estas características juntarmos a boa cozinha e o indispensável limoncello… bom, la vita torna-se bella

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