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O nome é sugestivo, mas embora parte do país se cubra de branco e as temperaturas não sejam as mais elevadas, a verdade é que a Islândia é um muito bem guardado segredo natural com imenso encanto e muito convidativo. Venha daí!

Localizada no Atlântico Norte junto ao Círculo Polar Ártico, a Islândia representa uma verdadeira ponte entre continentes, distando apenas cinco horas de avião a partir de Nova Iorque e três a partir de Londres. A cultura islandesa terá sido fortemente influenciada pelo isolamento geográfico e pelas condições naturais extremas, o que originou um povo resiliente, com fortes ligações às tradições e à Natureza. Moldada pelas forças da Natureza, a sua paisagem comprova o poder criativo dos quatro elementos (terra, ar, fogo e água) de um modo dramático, contando com vulcões activos, vales verdejantes, fiordes gelados, praias de areias negras e rios agitados num conjunto que apesar de ser muito acessível ainda se encontra virtualmente intocado pelo ser humano. Num mundo onde o desenvolvimento acelerado se tornou uma verdadeira marca, o estado de pureza em que a Islândia vive destaca-se como um autêntico luxo.

O país mais verde do Mundo

Dez por cento da Islândia encontra-se coberta de gelo, representando, no entanto, o maior glaciar da Europa e uma verdadeira fonte de água pura. Os islandeses orgulham-se da próxima ligação que mantêm com a Natureza, dedicando-se à sua preservação, fazendo deste o país mais verde do Mundo e um verdadeiro exemplo no que diz respeito à produção de energias renováveis. Na verdade, a Islândia recorre a três dos seus principais recursos naturais que representam sectores tradicionais e que se encontram em crescimento:a pesca, que representa 40% da receita obtida com a exportação nacional e que emprega 7% da população activa, a energia renovável, com recurso à energia hidroeléctrica e geotermica produzindo de modo único quase toda a sua electricidade com base em recursos naturais sustentáveis e aquecendo cerca de 90% das casas com água geotérmica, e a água, que o país exporta para o mercado mundial de garrafas de água premiada. Sem aditivos, a água islandesa tem vindo a tornar-se cada vez mais popular em todo o mundo.

Vida selvagem preservada

Os mamíferos marinhos e as aves representam a vida selvagem predominante na ilha, que se tornou popular entre os ornitólogos, que a visitam para observar dezenas de espécies durante a época de nidificação. A Islândia é também morada de aves marinhas como os papagaios do mar e as gaivotas, que fazem os ninhos nas falésias rochosas. Quando a Islândia começou a ser povoada, por volta do século IX, o único mamífero que ali se encontrava era a raposa do Ártico, que terá chegado no final da era do gelo caminhando sobre os mares gelados. No entanto, a maior parte das espécies domésticas que os primeiros colonos ali estabeleceram mantiveram-se inalteradas, sendo o cavalo islandês talvez o exemplo mais conhecido, entre outros animais como a ovelha, as galinhas, as cabras e o pastor islandês. Actualmente encontramos na Islândia a já referida raposa do Ártico, ratos, coelhos e renas. Os ursos polares visitam a ilha ocasionalmente viajando sobre icebergues desde a Gronelândia, e nas suas águas podemos avistar focas, baleias, golfinhos e mais de 300 espécies de peixes.

Herdeiros de vikings e de celtas

Aquando da sua colonização, a Islândia detinha grandes extensões de florestas, tendo no século XII sido descrita como “florestada desde a montanha até à margem da praia”, mas a chegada do Homem perturbou este delicado ecossistema. A erosão do solo causada pela exploração florestal, pela actividade vulcânica, pelos movimentos glaciares e pelo clima desfavorável causaram o recuo das espécies arbóreas para apenas um quarto de todo o território.

A Islândia foi o último país europeu a ser colonizado, quando migrantes da Escandinávia e celtas vindos das Ilhas Britânicas ali chegaram em finais do século IX, inícios do século X. Permanece ainda como o país menos populado do continente e onde as duras condições naturais moldaram um povo que se tornaria resiliente e capaz de viver num ambiente naturalmente duro, que com base nos recursos naturais fundou a sua prosperidade. Actualmente a Islândia representa uma sociedade progressiva e moderna que dá cartas no que respeita aos níveis de qualidade de vida. A sua economia é uma das mais produtivas a nível mundial e o país tem vindo a ser considerado um dos mais verdes de todo o planeta. O centro da sua cultura baseia-se na sua famosa tradição literária que remonta às Sagas Islandesas, sendo ainda hoje este o país onde se publicam mais livros per-capita. A nível cultural destaca-se também nas áreas da música, do cinema e no design. Os costumes e tradições islandeses buscam inspiração na existência insular e no consequente isolamento e na curiosa influência pagã sobre a religião cristã. As lendas islandesas encontram-se cheias de misticismo, de fantasmas e de duendes, sendo também moldada pelas forças e pelo ambiente naturais.

A capital Reiquiavique

Reiquiavique ou “baía fumegante” em islandês, é a capital da Islândia, coração da actividade cultural, económica e popular destino turístico, e que actualmente é observada como uma das cidades mais limpas, organizadas e seguras de todo o Mundo. A capital islandesa representa a maior cidade do país, acolhendo mais de 60% de toda a população nacional e concentrando museus, universidades, teatros, orquestras e piscinas ao ar livre, igrejas, catedrais e bairros estudantis. Capital mais setentrional do mundo, Reiquiavique destaca-se não por modernos e desafiantes arranha-céus, mas pelos coloridos telhados das suas casas, por parques e lagos e por piscinas termais, que representam em boa parte um forte aspecto da vida social dos islandeses. A cidade é também famosa pela cena nocturna, com bares e discotecas animadas que todos os fins-de-semana se enchem de locais em busca de divertimento.

Em Reiquiavique é possível encontrar jardins com casas para elfos, fazer maravilhosos passeios de barco e visitar edifícios modernos e elegantes. Os geisers, os vulcões e a história dos vinkings são muito presentes na realidade islandesa e por também aqui evocados. Destacamos uma visita à Hallgrimskirkja, a igreja mais alta, com 74,4 metros de altura e dedicada ao culto evangélico luterano que começou a ser construída em 1945 sendo finalizada em 1986. Obra de notável arquitectura moderna, o Harpa Concert Hall, inaugurado em 2011, acolhe os melhores eventos culturais, mas vale sobretudo pelo design e pela criatividade de conceitos envolvidos na criação que apresenta. No Museu Perlan poderá conhecer as “Maravilhas da Islândia” recorrendo a tecnologia de ponta e observando vulcões, glaciares e estruturas geotérmicas. Em Reiquiavique será impossível não visitar o Solfar Sun, escultura em aço maciço que recorda um navio viking e um dos ícones da cidade na zona ribeirinha. Também incontornável será a realização de um passeio de barco para observar as baleias e assistir a um verdadeiro espectáculo de beleza natural. Partindo de Reiquiavique, alcançará a Península de Reykjanes onde poderá admirar a Blue Lagoon, com lagoas naturais de água quente e tonalidade azul, onde as temperaturas rondam os 37 e os 39 graus centígrados, mesmo no meio de montanhas e de vegetação. Ainda aqui, poderá observar a “ponte entre os dois continentes”, que se ergue entre a fissura que separa as placas tectónicas da América e do continente europeu. O Parque Nacional de Pingvellir, património mundial, as quedas de água de Gullfoss e os geisers de Haukadalur completam o famoso Círculo Dourado, um percurso de 300 quilómetros absolutamente imperdível. Para completar uma verdadeira experiência do que a cidade tem a oferecer, nada melhor do que encerrar com a observação de uma aurora boreal. O Grotta Lighthouse, um farol com vista para a a baía da cidade mas cercado de montanhas cobertas de neve poderá, em Setembro, constituir o ponto ideal para assistir a este magnífico fenómeno que ocorre quando as radiações solares atingem a atmosfera terrestre.

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