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Normandia – O encontro com a história

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NORMANDIA

O encontro com a história

Uma boa maneira de visitar a Normandia é aproveitar uma ida à capital de França, Paris, a cidade das luzes, da animação, cultura e azáfama. Normandia é tranquilidade, história e natureza.

O verde da paisagem traz-nos tranquilidade e transporta-nos para tempos passados. Sentimo-nos ir ao encontro da história e recordar o desembarque dos aliados nas praias da Normandia. Aí houve o massacre de centenas de milhares de pessoas, de ambos os lados da guerra.

Texto Isabel Brigham  |  Fotos Natacha Brigham

 

Enquanto percorríamos a verdejante paisagem, refletíamos sobre a estupidez que é a guerra e a lição que nos transmite: por muito que os dirigentes se desentendam, é o povo que se expõe e morre às ordens superiores!

Alugar um carro e pernoitar duas ou três noites é o ideal para descobrir esta zona.

A primeira paragem que fizemos foi em Honfleur. Aí nasceu o pintor Eugéne Boudin, um dos precursores do impressionismo. De facto, a zona é uma fantástica fonte de inspiração para quem tem o dom de, pela pintura, transmitir aos outros a beleza da paisagem envolvente.

Tudo muito limpo e harmonioso, com inúmeros recantos adornados por flores coloridas, é um choque de vida e de encanto. Surpreendemo-nos com cada pedacinho de beleza que Honfleur nos oferece! Traz-nos o deslumbramento de quem quer redescobrir a história e encontra um porto de abrigo pelo caminho.

Honfleur foi construída em redor de um porto. O aroma do marisco sente-se por todo o lado e os inúmeros restaurantes convidam-nos a sentar e saborear, desde logo, as grandes ostras cozinhadas das mais diversas formas ou ao natural, regadas com sumo de limão. São o alimento propício para retemperar o corpo e a alma. Fascinados com o ambiente, desfrutamos do momento com a certeza de que instantes como este irão ficar marcados em nós!

Continuamos viagem na Normandia para a cidade de Caen. Aí encontramos o Memorial Caen-Normandy, um museu que em exposições permanentes retrata o Desembarque dos Aliados, tal como a narração da Segunda Guerra Mundial. Um terço de todos os civis franceses, durante a Segunda Guerra Mundial, foram mortos na Normandia, ou seja, 20 000 pessoas.

No museu existe também uma exposição da Guerra Fria, impressionante forma de evocar a colisão de Dois Mundos e a procura de equilíbrio das Super Potências.

É tempo de continuar e rumar ao alojamento previamente marcado. Escolhemos a cadeia Chambres d`hotes, que proporciona o conforto de um hotel mas com características familiares. Fomos recebidos pelos sorrisos da dona e das suas duas filhas, crianças encantadoras de cabelos de um loiro reluzente. Sentimo-nos acolhidos com afecto e protecção, passando a ser a nossa casa a par de uma disponibilidade total para conversar, partilhar a história local e aconselhar percursos a visitar.

No dia seguinte, dirigimo-nos a Sainte-Mère-Église. Quando os pára-quedista aliados, no dia-D aí desceram e foram dizimados pelas tropas nazis, um pára-quedista de nome John Steele ficaria na história, pois o seu pára-quedas ficou preso na torre da igreja e isso salvou-lhe a vida. Fingiu-se de morto e assim permaneceu durante horas até ser capturado pelas tropas alemãs, conseguindo escapar mais tarde. Há uma lápide com essa referência no local e na torre da igreja permanece um manequim pendurado num pára-quedas, relembrando o episódio. A cidade é tranquila, rodeada pelo verde dos campos.

No dia do  Desembarque dos Aliados, as diversas praias estavam cheias de soldados corajosos, tentando chegar a terra segura, a todo o custo. Muitas vidas foram perdidas e uma das páginas mais importantes da história foi escrita; foi o começo do fim das tropas nazis e de Adolf Hitler.

Com o nome de código Omaha Beach, o objetivo principal dos Aliados (tropas americanas) era tentar capturar  a parte central da praia e cerca de 8 km por terra adentro entre Port-en-Bessin e o rio Vire. Mas muito pouco ocorreu como os Aliados tinha planeado. As defesas foram inesperadamente fortes, infligindo muitas baixas.

Gold Beach foi o ponto de desembarque para os Aliados (tropas britânicas), para estabelecer uma zona ocupada entre Arromanches e Ver-sur-Mer, expandindo-se mais tarde para Bayeux e cortando a estrada para Caen.

Durante toda esta zona encontramos vestígios das lutas travadas, abrigos de protecção e fortes.

A visita aos cemitérios é impressionante! O cemitério onde repousam os corpos dos Aliados é todo relvado com cruzes ou estrelas de David brancas, uma imensidão gelante e constrangedora; milhares e milhares de pontos brancos no verde da relva. O cemitério onde repousam os corpos dos combatentes alemães e seus aliados é igualmente relvado e com cruzes pretas ou cinza. Em ambos os lados, encontrámos familiares prestando homenagem e chorando pelos seus antepassados. Fere a alma e, no local, sente-se mais profundamente a estupidez da guerra.

Voltamos à paisagem em que o azul do mar e o verde dos campos nos envolvem e convidam à vida e à descoberta de novos locais.

Seguimos em direcção ao emblemático Mont de Saint-Michel.

Situado entre a Bretanha e a Normandia, encontramos uma ilha rodeada por uma baía, ligada apenas por uma estrada ao continente. As marés vivas que assolam a baía de Saint-Michel são as maiores da Europa, pelo que é necessário ter muita atenção aos indicadores dos horários das marés para não correr o risco de o carro ficar submerso.

Subindo o monte e percorrendo o caminho que nos leva às muralhas, fazemos pausas para apreciar a paisagem envolvente, que é maravilhosa.

As muralhas estendem-se num círculo de cerca de um quilómetro de ameias e torres de vigia. Estas foram construídas durante a Guerra dos Cem anos e resistiram a todas as tentativas do exército inglês, pelo que se honrou por muitos séculos um símbolo da identidade nacional francesa.

As ruas são percorridas por milhares de pessoas, pois é uma atracção nacional. Há diversos restaurantes, pequenos cafés e lojas que permitem fazer uma pausa para saborear comidas locais ou adquirir produtos da região. Estão sabiamente preparados para receber os imensos turistas que visitam o local.

Percorridos os extensos degraus que nos levam à Abadia e à sala dos Guardas, tem-se acesso à Igreja Notre Dame de Sous-Terre, uma pérola de estilo românico.

No exterior vêem-se as janelas dos quartos onde residiam os monges, interligados por passadiços suspensos que nos levam a um belo terraço, onde se pode ter uma das vistas mais completas da baía.

No piso intermédio deparamo-nos com o mosteiro de estilo gótico, que é de facto de uma grande beleza. O seu claustro envolvido por um lindo jardim dá acesso ao refeitório, um local ideal para meditação.

A história, a paisagem e o encantamento acompanharam-nos sempre durante a viagem. Alguns momentos dolorosos, outros divertidos e até caricatos. Fica a sensação de que, por muitos mundos que haja para visitar, este apela-nos a voltar, não só por ser um reencontro com a história, mas por toda a beleza envolvente.

 

 

 

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